UM MINUTO
por
M.Miquelina Lopes Um minuto são sessenta segundos da nossa vida, uma insignificância no total das vinte e quatro horas do dia.
Ouvi em França uma canção ao vivo, cujo tema se baseava nesta frase “Um minuto por dia para olhar o céu“.
À primeira vista pouco significado tem. Um minuto por dia, tão pouco! Para olhar o céu, para quê?
Mas é essencial parar um minuto por dia e olhar o céu.
Olhar o céu é fundamental. Quanta coisa se descobre logo à primeira vista. É o azul de um céu limpo, é o cinzento de um nevoeiro, são sobretudo as nuvens e as suas formas continuamente a mudar, formas que aparecem e se desfazem e que precisam de ser olhadas.
Se calhar, nem temos pensado nisto. Parar para olhar o céu, que disparate! Tenho tanto que fazer!
Mas olhar o céu não é só observar a sua beleza, as formas das nuvens, o além. É parar na azáfama, é deixar de olhar para baixo onde só se vê desgraça e miséria, é sair deste ram-ram da vida que não nos deixa ir mais longe.
Há estrelas num céu azul quase negro que brilham e nos iluminam. Há uma lua que nos dá um luar branco, calmante. Há uma saida de nós para observar a natureza, para equilibrar os problemas, para sair da concha em que vivemos. Há que pensar noutras coisas, num Além que existe e que se convencionou que é para lá do céu, há outra vida em que devemos pensar e não só nesta.
Mas, para isso, é preciso um minuto por dia para olhar o céu.
Convenhamos que temos sempre tempo para arranjar esse minuto e que o vamos dedicar a olhar o céu. Queiramos ou não, se conseguirmos fazer isso, a vida passa a ter outro sentido.
Mas até para um simples minuto é preciso coragem e persistência para o arranjar. Se o fizermos todos os dias, se esse gesto entrar na rotina do dia a dia, vamos reparar que, a pouco e pouco, o pouquinho de reflexão que fizermos nos vai transformando e nos vai dando, não só coragem para continuarmos o minuto seguinte, como também vai mudando o nosso “eu“.
Um minuto na vida!
Tanta coisa que se muda num minuto. Em segundos, nem é preciso um minuto, um abalo sismico deita por terra uma cidade, reduz tudo a escombros. Esse é talvez um dos piores minutos da vida.
Num minuto, ele e ela resolvem que querem caminhar juntos na vida e dão-se um sim de fidelidade. Está construida uma família.
Mas, também num minuto, ele ou ela resolve dizer que tudo acabou, que não há mais sentimentos, e tudo se desmorona. É uma vida a dois que finda e com gravissimas consequências.
Num minuto, toca o telefone a dar-nos a noticia da morte de alguém muito chegado. E a rotina do dia a dia altera-se toda. O que era para ser feito, já não é, o que devia continuar, parou e mudou de rumo.
Num minuto recebemos uma grande alegria quando um filho telefona a dar a noticia da formatura ou do emprego arranjado.
Um minuto na vida parece tão insignificante!
No entanto, é num minuto que a vida se transforma, que as coisas se alteram.
Precisamos de dar muito valor a um minuto. Estamos aqui. Daqui a um minuto tudo pode ter acabado. E perdemos tanto tempo sem olhar o céu!
Arranjemos também um minuto para Reflectir.
M.Miquelina Lopes